sábado

A Fada do Sexo

10/09/2008

Sou forçada a admitir que, apesar de não suportar correntes virtuais, contribuo para que elas existam e cheguem à caixa postal de amigos, parentes e conhecidos que não vejo há anos. É certo que tenho pudores e, sempre que posso, evito aborrecê-los com essas bobagens. Mas há ocasiões em que me vejo forçada, por um motivo ou outro, a fazer uso da minha lista de contatos.

Graças a esta fraqueza, recebi outro dia o e-mail de um amigo me pedindo que eu não lhe mandasse nada que não fosse escrito por mim mesma. A mensagem veio em resposta a uma oração que recebi e passei adiante – e aqui, leitor, preciso dizer que nem religião eu tenho! O texto, de autoria desconhecida, falava de paz, harmonia, amor, felicidade. E desejava, àqueles que o recebessem, as melhores vibrações do universo.

Que mal há nisso? A meu ver, mal nenhum. Porque o problema das correntes não são as orações – que santo ou deus vai se importar se fulano ou sicrano resolve mandar para a lixeira, a despeito de toda a tragédia humana, uma oração? –, nem tampouco as palavras ou textos inspirados na Nova Era. Não, o problema das correntes são os medos.

Veja, por exemplo, o caso da Fada Irlandesa do Sexo. Ela me foi enviada por uma amiga acreana, na última sexta-feira. A mensagem trazia uma despudorada fada verde que apontava pelo menos dez boas razões para se fazer sexo, entre as quais o fato de ser um “tranqüilizante natural, mais poderoso que o Valium”.

No início, dei boas gargalhadas. Mas ao final do texto, as risadas foram substituídas por um frio e curto arrepio na espinha: passar o resto da vida sem sexo? Ai, ai, ai, ai, ai... Respirei fundo, lembrei-me dos últimos meses, das férias, do verão passado! E decidi: a vida já anda muito confusa para se viver com uma ameaça como esta pairando sobre a cabeça.

Por isso, não pensei duas vezes: corri à minha lista de endereços e escolhi, a dedo, as amigas a quem mandaria a fada irlandesa.

Se me senti ridícula com a situação? Ora, é claro que sim! Mas me lembrei de Nélson Rodrigues: “Só os imbecis têm medo do ridículo”.

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